LÚCIO MIRANDA
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LÚCIO MIRANDA

Prefeito de 1955 a 1959

 

O primeiro Prefeito eleito em Taiobeiras foi o Sr. Lúcio Miranda. Ele nasceu em Jacaracy, então pertencente à Mortugaba, Bahia, no dia 11.04.1911. Filho de João José Miranda e Dona Maria Sebastiana de Miranda.

 

Lúcio Miranda veio para o Município de Taiobeiras ainda jovem. Seu pai era fazendeiro em Jacaracy, mas houve uma seca muito prolongada e ele foi com a família e comprou uma fazenda nas Antas, Município de Salinas. Oito anos depois, seu pai fez uma visita aos parentes em Jacaracy e percebeu que estava chovendo muito e a região havia recuperado. Ele resolveu regressar com a família para sua terra natal, mas, Lúcio ficou na região.

 

Conheceu Dona Santa numa festa de batizado na fazenda Santa Cruz, de Josino Afonso, no Município de Salinas, quando ela tinha 12 anos de idade e se interessou por ela. Insistiu em namorar, no que foi aceito, ficando noivos quando ela tinha apenas 13 anos de idade. Dois anos depois se casou com Dona Izabel Mendes Rocha (Dona Santa), na Fazenda Pé da Serra, Município de Salinas, no dia 3 e outubro de 1936, quando ela tinha 15 anos de idade. O pai de Dona Santa deu ao genro uma área de terra, onde Lúcio passou a cultivar fumo, cana, milho e feijão. Quando já tinha duas filhas, em 1942, mudou-se para Taiobeiras, onde colocou uma loja de tecidos, na esquina da Avenida da Liberdade com a Rua Osvaldo Argolo. Em 1945 Lúcio Miranda vendeu a terra e adquiriu o Marruás.

 

A mulher tomava conta da loja na semana e ele ficava na fazenda, ocasião em que iniciou o comércio de gado. Nas sextas e sábados ele ia para Taiobeiras e ajudava atender os fregueses na loja. Depois, comprou a Fazenda Serra e aumentou o seu comércio de gado.

 

Tinha uma boa freguesia na loja, porque vendia a prazo. Com sua amizade e maneira educada de lidar com as pessoas, a sua loja passou a fazer concorrência com as outras três existentes. Lúcio Miranda, no comércio de gado e na loja, angariou muita amizade, ficou muito popular e foi por isso que entrou na política, levado pelos amigos. Como o casal teve muitas filhas, Dona Santa não tinha condições de tomar conta da loja e cuidar das filhas. Por esta razão, em1953 vendeu a loja e ele ficou somente com o comércio de gado. Em 1960 Lúcio Miranda mudou-se para Montes Claros e comprou uma Fazenda no Rio Verde. Depois comprou as Fazendas Vereda da Roça, no município de Cachoeira do Pajeú, e Missouri, no município de Pedra Azul.

 

O casal teve nove filhas: Vanilda, que faleceu com cinco anos de idade, Hylza, Vanilda, Lúcia Helena, Lenilda, Ana Lúcia, Nádia, Maria Izabel e Helenice. Várias deloas fizeram curso superior.

 

O casamento com Dona Santa durou muito tempo, mas depois eles divorciaram-se, em outubro de 1976, e contraiu novas núpcias com Dona Maria de Lourdes da Silva Miranda, com quem teve dois filhos: Lúcio Carlos e Luciano da Silva Miranda.

 

VIDA POLÍTICA

 

Desde cedo Lúcio Miranda demonstrou sua liderança, fazendo amizades com todos. Começou sua vida no comércio de compra e venda de gado. Depois foi adquirindo boas fazendas. Ele dizia que tinha um costume: nunca fugia de seus credores. Sempre procurava a quem estava devendo alguma importância para dizer que não pôde pagar na data, mas o gado estava lá para vender.

 

Ele não era político, mas, por causa de sua popularidade, a oposição a Idalino Ribeiro, representada pela UDN, lançou seu nome como candidato a Vereador à Câmara Municipal de Salinas, em 1950, tendo obtido 180 votos, perdendo a eleição para o Vereador Francisco Vieira dos Santos, do PSD. Com a emancipação política de Taiobeiras e a primeira eleição municipal de 1954, a oposição se organizou em torno da Coligação UDN-PR-PTB, lançou seu nome para Prefeito e ele foi eleito no dia 3 de outubro de 1954, tendo como seu vice o Sr. Uilton Costa Mendes. Tomou posse no dia 31 de janeiro de 1955, juntamente com a primeira Câmara de Vereadores, composta pelos Vereadores: Francisco Nogueira, José Mendes Rêgo, Osorino Ferreira de Araújo, João Francisco Ferreira, Isalino Miranda Costa, Cristóvão de Souza, Fabrício Batista da Silva, Artur Cunha e Fernando Lopes Magalhães.

 

Lúcio Miranda foi um sacrificado à frente da Prefeitura de Taiobeiras. Era um Município novo. Os Intendentes quase nada puderam fazer e ele pegou uma Prefeitura sem nenhuma estrutura. Começou, então, a consolidar o Município. Não recebia os seus subsídios como Prefeito. Tudo era devolvido em benefício do Município. Gastava o que recebia com pagamento de passagens, remédios, roupa e comida para os pobres. A Prefeitura não possuía nenhum veículo e ele usou seu próprio veículo, pagando o combustível com seus recursos. Muitas vezes ele tinha que vender alguns de seus bois para gastar com a Prefeitura.

 

Tinha muitos amigos, porém, os mais próximos eram Uilton Costa Mendes, Antonino de Almeida, Maciel Rêgo, Trajano Americano Mendes, Emetério Rodrigues, João Cocá e outros. Era amigo e apoiava Francelino Pereira dos Santos como Deputado Federal, e Cícero Dumont, como Deputado Estadual.

 

Sua obra mais visível foi o início da construção do atual mercado, um pouco abaixo do antigo mercadinho. O projeto foi remetido à Câmara Municipal e recebeu forte resistência da oposição, composta de quatro vereadores, porque não queriam a construção do mercado naquele local. Presidia a sessão o Vereador mais velho, João Francisco Ferreira. Depois da discussão, colocado em votação, ficou empatado, tendo o Presidente decidido a favor da Administração. Ele fez os alicerces e o cômodo da esquina, que se destinava ao Sr. Osvaldo Lucas Mendes, porque ele tinha um cômodo do mercadinho antigo, que foi demolido antes do término da construção do atual mercado. Quando começou a construção do mercado naquele local, recebeu muitas críticas dos adversários, que alegavam que o mercado era muito grande e que ficou no meio da Praça, ocupando muito espaço. Lúcio Miranda foi um Prefeito democrático, somente tomava decisões importantes em reuniões com os companheiros.

 

Outra obra marcante foi a construção da estrada de Mirandópolis a Berizal, que foi feita na base do enxadão e da picareta. Adquiriu um motor para fornecer luz à cidade, pois, até então, Taiobeiras era servida pela luz gerada pela usina do rio do Tocão, fornecida das 19 às 21 horas.

 

Lúcio Miranda continuou na política. Em 1958 foi eleito Vereador e foi eleito Presidente da Câmara Municipal nos exercícios de 1959, 1960 e 1961. Na eleição de 1962, foi eleito prefeito com vice Oswaldo Lucas Mendes. Renunciou em 1963, o vice assumiu e terminou o mandato. Lúcio Miranda foi eleito Vereador na eleição de 1966, ocupando a Secretaria da Câmara nos anos de 1969 e 1970, ocupando a Vice-Presidência da Câmara em 1971 e em 1972, reeleito para a legislatura de 1973 a 1976. Finalmente, em 1982, foi eleito Vice-Prefeito, na chapa de Geraldo Sarmento de Sena, com mandato de seis anos, sendo seu último cargo eletivo.

 

Depois disso, afastou se da política e viveu em sua fazenda Vereda da Roça, no Município de Cachoeira do Pajeú, não muito distante de Taiobeiras.

 

Faleceu em 08 de agosto de 2002, acometido por uma infecção generalizada.